E O FOGO VORAZ E «FATAL», LANÇOU
MANTO NEGRO NO INTERIOR DO PAÍS…
Filomena Leal
Morreram
pessoas – muitas.
As que
ficaram, algumas lutando ferozmente contra as chamas, sem nada ficaram. Casas,
empresas, pequena e média agricultura, tudo jaz morto – em cinzas. A alma do
Interior ficou queimada e a do resto do País, no mínimo, chamuscada.
É claro que
muita gente das cidades (Lisboa e Porto em particular) não sentiram o problema,
como se em nada os afectasse. Estão habituados a ver terríveis dramas na
televisão e logo esquecem – já é banal. Mas a verdade é que todo o País
empobreceu e aqueles que pensarem um pouco, poderão chegar à verdadeira Razão
de tudo isto. Para além das muitas enunciadas por especialistas e não só, e
todas válidas, há uma que reside na base de todas elas: o despovoamento desse
Interior, iniciado com a morte da agricultura e se foi continuando sempre com
encerramento de escolas, estações do correio, centros de saúde, e tudo o que é
básico para a vida das populações.
O desprezo
pelas aldeias e sua desvalorização por todos os poderes existiu e cada vez de
modo mais acelerado, até chegarmos à quase extinção de muitas delas.
É de pensar,
pois, urgentemente, nas medidas que possam suster a desertificação deste
Interior, criando estímulos para empregar e fixar as novas gerações fora das
grandes cidades e orla costeira do País.
Um Governo
verdadeiramente empenhado na Defesa desta Causa Nacional, poderia transformar
um País pequeno como o nosso, num modelo de coesão e equilíbrio, sem as
desigualdades territoriais duma actualidade profundamente Injusta para uns e
prejudicial para todos.
Filomena Leal