Filomena Leal
Parecia
sonho. Mas não, foi tudo real.
A memória
está viva desse Tempo Novo, daqueles dias de Liberdade exaltante e dos Sublimes
Instantes então vividos.
No liceu D.
Dinis, o meu Espaço docente de muitos anos, Mobilizar (uma palavra nova,
adormecida até então no Dicionário) foi a poção mágica para tornar possíveis
sonhos de mudança duma realidade castradora e sem futuro. O Direito à Educação
e Cultura abriu as portas da Escola elitista a todo um povo, de tudo isso tão carente.
Alunos e Professores uniram-se para operar a Mudança. E um Reitor que,
recentemente, face a uns panfletos «subversivos», fizera entrar a Pide naquele
Espaço, foi, segundo as novas regras revolucionárias, destituído em plenário.
Então, Comissões eleitas democraticamente, começaram a dirigir o liceu. Actividades múltiplas, estudos pedagógicos adaptados à nova realidade, visitas a jornais, museus, a empresas, (tentou-se desde logo, prestigiar o trabalho manual), muitos debates dos mais variados temas, sessões com escritores, actores, e outros resistentes que sofreram a censura e torturas fascistas, tudo isso dinamizou o ambiente.
Então, Comissões eleitas democraticamente, começaram a dirigir o liceu. Actividades múltiplas, estudos pedagógicos adaptados à nova realidade, visitas a jornais, museus, a empresas, (tentou-se desde logo, prestigiar o trabalho manual), muitos debates dos mais variados temas, sessões com escritores, actores, e outros resistentes que sofreram a censura e torturas fascistas, tudo isso dinamizou o ambiente.
Também a
situação política e a Liberdade, um dos principais valores da Revolução, não
podia ser descurada. Porque, afinal, nada estava assegurado. Após um 1º de
Maio, pleno de cravos vermelhos, solidários e felizes, todos unidos contra o
regime fascista derrubado, surgem as primeiras nuvens a toldar essa marcante
felicidade. Várias forças políticas, algumas passadistas, entram em acção.
Então, a luta pelos novos Valores, fazia voar todos os que os defendiam. E o
desapego dos bens materiais, para que Todos tivessem acesso a pão, saúde e
habitação, era vulgar em muitos militantes da Revolução. Foram dias
Esplendorosos, por sentirmos ser possível melhorar a vida de muita gente.
Depois houve
cenas inolvidáveis, como a emocionante Saída dos Presos Políticos de Caxias.
Eram caras de espanto à mistura com lágrimas duma alegria incrédula… E tudo
isto, graças à heroica e competente Acção do «Movimento dos Capitães». Assim,
quando Dinis de Almeida, qual herói romântico, belo e compenetrado da sua
missão, saía do Ralis na sua Chaimite, levava de imediato com salva de palmas
agradecidas. E com todos os «Capitães de Abril» acontecia o mesmo (falo no Dinis de Almeida, porque o
liceu era perto do Ralis e íamos lá frequentemente no intervalo das aulas).
Também a
Guerra colonial teve de acabar. Era o grande drama dos jovens que por lá
morriam ou regressavam estropiados e sem conserto possível.
E a mulher,
tão menorizada pelo regime? Eis que começa a vir para a rua, tomando
consciência dos seus direitos e da luta necessária para os fazer valer.
E FOI ASSIM AQUELE TEMPO, QUE PARECIA NÃO TER TEMPO...