domingo, 3 de agosto de 2025

ÀCERCA DA LIBERDADE NA FICÇÃO


                      

                                                                                                Filomena Leal


«A literatura imaginária é livre e esta liberdade é muitas vezes incómoda» 

Assim é que a história do romance moderno é uma luta pelo direito a dizer e pensar o que não agrada a totalitarismos com a grande obsessão de controlar. O que pode então ela fazer? "A possibilidade de imaginar o outro, permitindo-se um tipo  de conhecimento que não existe de nenhuma outra forma, indo de encontro talvez à  infinita curiosidade sobre os nossos semelhantes, desvendando por vezes as nossas facetas mais sombrias, e mesmo os demónios com que a natureza humana tanto nos espanta. É todo um acesso directo às vidas dos outros, enriquecendo assim a nossa limitada experiência." É  uma escrita circular e a que melhor responde à dispersão de tudo, ajudando-nos a percepcionar com lucidez  a complexa realidade. É o pensamento transformado em acção, a decorrer em espaços onde os factos acontecem.´                       É, também o incomparável instrumento de Resistência Subjectiva, como defende o grande romancista Milan Kundera, ele vítima resistente do apregoado «socialismo comunista».

E a verdade é que a Literatura imaginária continua a existir e dela precisamos mais do que nunca. É que as nossas verdades são diversas e há forças actuais poderosas que tudo fazem para as limitar e, se possível, destruir.