terça-feira, 22 de março de 2022

ELOGIO DO MOVIMENTO «SLOW»

                                                                                                                 Filomena Leal

Face à rapidez e aceleração sem sentido do mundo moderno, eis que surge um Movimento de pessoas a querer viver de modo mais equilibrado. E que equilíbrio é esse? Não é de certo fazer tudo à velocidade de caracol, mas ser rápido apenas quando isso faz sentido, e ser lento quando não é necessário acelerar.                         Aliás, há trabalhos preciosos que exigem tempo e não se compadecem com rapidez e pressas. Viver num «tempo certo», «giusto» como lhe chamam os músicos. Trata-se dum ritmo de vida mais cuidado, navegar contra a corrente desenfreada e assim, conseguir um estilo de vida mais realizador e vital (um certo «comedimento» que nos leve a viver com alguma plenitude). E é o Vagar, um valor relevante na criação e memória de patrimónios culturais, na história da resistência dos povos, nas relações orais entre as pessoas e ligação com a natureza, céu e terra,  o grande construtor de grande parte da grandiosidade humana.                                                                                                O desvio a uma «boa vida», como principal fonte de alienação e descontrôle da própria vida, é da responsabilidade da tão vulgarizada falta de tempo, devida esta ao processo dominador da aceleração, nas suas várias e modernas dimensões.                     Contudo... as contradições do sistema!!! há uma camada da população que, pelo contrário, tem tempo em excesso. É a multidão de desempregados que carregam a culpa de usufruirem dum tempo em que a regra social é a escassez. E ter tempo para além dos codificados para lazer, é um dos «pecados» que o sistema, impiedoso, atribui ao desempregado.

COMO NÃO SENTIR O CHOQUE DESTE CAPITALISMO DESREGULADO E CADA VEZ MAIS SELVAGEM?