sábado, 29 de junho de 2019

O IMPANTE «CENTRALISMO DEMOCRÁTICO» QUE IGNORA O INTERIOR DO PAÍS




                                                                                                       Filomena Leal


O discurso de João Miguel Tavares no dia de Camões em Portalegre, foi uma «pedrada no charco» no contexto habitual das palavras que se ouvem neste Dia de Portugal. 
Um Portugal, em que a maior parte do seu território está esquecido. Tal como Portalegre, muitas outras zonas do País, padecem do mesmo mal: despovoamento e declínio, sem políticas que procurassem empenhadamente isso evitar. Políticas capazes de vitalizar o nosso vasto interior, com tantas e tão diversas potencialidades, mas deixadas ao abandono, com indiferença. E é todo um país que empobrece, desiquilibrado : tudo se concentra nos grandes centros urbanos e zonas do litoral, onde as populações se acotovelam, porque aí é que há empregos e empresas estimuladas pelo  poder. 
A grande catástrofe centralizadora faz com que todos emigrem para os mesmos sítios (onde se decide o que é relevante) e deixem as suas terras abandonadas. Claro é que muitos têm de ir para fora do país, uma vez que as zonas desenvolvidas são uma pequena parte do território.
Será que não teremos à vista um político ou uma equipa de políticos que, desafiando o«fatalismo» em vigor, ponha fim ao estertor desta maior fatia do país, com medidas que o dinamizem e o consigam povoar? Essa é que seria a Grande Acção contra a corrente e 100% Inovadora.
E isso sim, mereceria o olhar Grato e Confiante dum País, que sabe avaliar as políticas em prol do seu autêntico desenvolvimento. 

quarta-feira, 26 de junho de 2019

SALVAR NÁUFRAGOS PASSA A SER CRIME? COMO É POSSÍVEL?




                                                                                                               Filomena Leal


E é o Governo italiano - inserido na Europa e seus valores humanitários - que acusa o português Miguel Duarte do crime de «ajudar a imigração ilegal».
Resgatar náufragos é um dos princípios morais mais antigos da humanidade. E na própria legislação portuguesa está previsto o «dever de auxílio» como obrigação, quando se trata de salvar vidas.
Como é possível pois, não lutar contra o grande escândalo moral do nosso tempo que é deixar o Mediterrâneo ser o infindo cemitério de milhares de pessoas desesperadas e esperançadas numa vida digna?
Como é possível não fazer oposição à falta de ajuda a quem se sujeita aos maiores riscos e tortura para sobreviver?
Os Direitos Humanos de que a Europa se fez há muitos anos paladina, não serão Direito de todos estes seres massacrados por uma guerra de que fogem e lhes tira qualquer esperança de vida? Deixá-los morrer,  não será, isso sim, um crime desprezível contra a Humanidade? Se nós aceitamos isso, o que resta da solidariedade e fraternidade humanas?
Urgente será um sistema de protecção a refugiados, com medidas que os ajudem a fixar-se com segurança e dignidade
nesta Europa que os deve acolher, assumindo assim, toda a sua identidade humanista. Todo um Bem Fazer, sem descurar o contrôle evidente e necessário de riscos possíveis,
 mas superáveis.
Deixar morrer náufragos e punir quem lhes «estende a mão»?
Como é possível tal desumanidade?