quarta-feira, 26 de setembro de 2018

REGRESSO À ESCRITA




                                                                                                          Filomena Leal


De novo no meu dia a dia das pequenas tarefas e do Sentimento da Tarefa  maior que tenho em mãos. Este cilindrar do quotidiano, ir aqui, ali, tratar disto, daquilo, desvia-me completamente do que é mais importante para mim - a Escrita.
Papeis e reflexões anotadas são em grande quantidade (quase me sinto perdida, mas logo encontro o essencial do que pretendo) e não tendo nada organizado, é difícil pôr-me a escrever, abstraindo-me de tudo o mais.
Foi isso que tentei fazer, colocando no sítio certo os elementos de cada conto, do romance e até dos temas para artigos.
Sentada então frente ao papel em branco, tudo se me vai desatando e me parece com algum sentido. Terei eu algum talento? Também, se o tiver, é o único e por isso nada me resta, senão explorar este. 
Daí o meu sentimento de culpa quando não escrevo e não chego a fazer 1/4 do que programo! Porque a verdade é que me perco muito em minudências, a contemplar, a monologar, numa corrente de pensamentos que não pára, evocando acontecimentos, avaliando pessoas, justificando atitudes, fundamentando posições, num saltitar sem peias, sempre a laborar... Uma mente deveras danada!!!
Com tudo isto, sinto-me à noite esgotada - mas feliz, se tiver escrito algo que me satisfaça...( o conceito de felicidade é deveras muito pessoal e tem pouco a ver com o SER FELIZ
publicitário tão apregoado e que até pode influenciar alguns espíritos ávidos de ideias para o serem).

Mas o tempo urge, e ele é tão pouco para o mundo que sonho criar!...

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O SENTIR «OUTONAL» DA MÚSICA DE VIVALDI



                                                                                                       
                                                                                                       Filomena Leal



A Música é a expressão artística que mais me deleita. É através dela (e de algumas músicas clássicas como esta ou até mais ligeiras) que me abeiro do sentimento de plenitude da vida, um quase absoluto que está muito para além do sentir comovido do quotidiano. A Poesia (e lembro a magia dum poema dito por David Mourão Ferreira nas suas inquietantes aulas de mestrado), a Pintura, um inesquecível Romance, um Filme envolvente, tudo isso constitui grande Prazer na vida.
Com a Música, porém, passa-se algo de diferente. É um Chorar de violino, um Choro grato por me ser dado viver um pedaço de eternidade que me faz esquecer a efemeridade de tudo. É um não sei quê de nostálgico mas belo, um sentir em pleno o valor  da Arte como o que de superiormente Humano existe. É nestes momentos que vejo o Homem muito próximo do divino, ao criar tais maravilhas.
Só lamento que nem toda a gente (por não querer ou não ousar querer) usufrua de momentos tão divinais como estes...

A Ideologia Consumista dominante até concede felicidade, mas é momentânea e traz um vazio posterior Interminável.