domingo, 17 de fevereiro de 2019

ÀCERCA DUM DETERMINADO CONCEITO DE BOM ALUNO




                                                                                                    Filomena Leal



Sempre que ouço os políticos falarem de Bom Aluno, no sentido daquele que segue submissa e acriticamente tudo o que é dito e preconizado pelo professor, sinto alguns calafrios.
Sempre considerei um Bom Aluno aquele que ouve o professor atentamente, mas com sentido crítico e aberto. É capaz de colocar questões difíceis sobre a matéria, criando a tal dinâmica professor/aluno, tão essencial nas nossas escolas (claro que o professor tem de estar à altura desta concepção de Bom Aluno e ela estava presente em muitos dos que conheci da minha geração, o que contribuiu também para o seu evoluir).
Sempre considerei um Bom Aluno aquele que é capaz de avaliar os seus professores com justeza e sem lisonjas submissas, sendo apenas seu, o mérito de obter boas notas. Pelo trabalho, inteligência e dedicação à causa (neste caso Aprender) e por que não? uma certa solidariedade com colegas de menores recursos e carentes de apoio (até nisso o bom professor tem de estar atento).
Num tempo em que os jovens tendem a ser cada vez menos esforçados, pergunto-me se Comunicação social e políticos pensarão porventura, nos efeitos desestimulantes que a referência crítica ao Bom Aluno poderá provocar?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

RELAÇÃO CRIADOR/PERSONAGENS




                                                                Filomena Leal


Quando as personagens surgem, começam a fazer parte da vida do escritor. É como se fossem pessoas vivas. 
Ao ver recentemente uma exposição de Rodin, veio-me à ideia a personagem da Casa dos Seniores, o escultor Ferreira que  considerava aquele, um dos seus grandes Mestres. Não vi as Mãos que tanto interesse criativo despertaram no grande escultor e também na minha personagem. Mas evoquei a tragédia de Ferreira, quando ficou acidentalmente sem uma Mão, o que o aproximou ainda mais de Rodin que teve problema idêntico.
E penso como vivi e acompanhei todo o seu trauma e a maneira exemplar como o ultrapassou.
Afeiçoei-me a esta personagem e tive pena quando, ao acabar o livro, dela me separei. De igual modo, senti imensas saudades do Violinista Graça, da sua presença discreta e da música divinal de Mozart que tocava, debruçado no violino. O ambiente por ele criado, era para mim e muitos dos residentes, cheio de magia. Fez-me falta. 
Outras personagens (e havia muitas na Grande Casa) com quem muito dialogava, me provocaram um grande sentimento de perda. Foram-se todas embora - seguiram o seu caminho. Fiquei sem elas.
Mas o vazio que senti, não podia durar muito.
E eis que, num dia de nevoeiro denso e ar gélido, me surge a personagem Madalena a despertar-me, de imediato, profundo e centrado interesse. O que a caracteriza desafia-me o pensar imaginário. Contudo, será a Escrita, no seu trabalho dissecador da palavra, que a irá definir e adensar como criatura pensante e a querer libertar-se dos códigos sociais que a oprimem. Estou a aperceber-me que se trata dum ser complexo, em grande conflito consigo mesma e a imagem construída perante os outros. 
A sua actuação no papel já começou - movida por uma sensualidade apaixonada e vibrante pelo outro, quase «mística». Irei ter, de certo, muitos problemas com ela, não será pacífica a nossa relação, até porque a teia de relações com outras personagens diferentes e redondas, vão carecer de muita atenção e criatividade da minha parte, para resolver toda a problemática dum enredo verosímil.
Como será possível não me afeiçoar a toda elas, se é com elas que vou construindo a minha própria e imaginária Realidade,
numa luta/labuta do dia a dia?
    

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

LIVROS E INTERNET



                                                                                                   Filomena Leal


Tenho mil receios de perder as minhas centenas de livros.
Mesmo que nem todos sejam merecedores de serem guardados, outros há impossíveis de substituir (estou, contudo, em vias de fazer a selecção e ficar apenas com os que actualmente me interessam).
Para além disso, a Internet e sua «limitada sabedoria» poderá falhar e até (quem sabe?) deixar de existir.
Graças à despesa constante e muita, de muitos anos, tenho, sim, uma grande biblioteca de livros materiais (e não «on line»)que, de certo, me dão informações e visões da realidade, muitas e várias, até mais rigorosas do que tudo que poderia obter na Internet. Quando os consulto, bem noto a diferença: o que constato é que encontro em alguns o que nem sequer vislumbro na Internet. Algo imperecível e não apetecivelmente moderno e «actual» para internautas fanáticos.
(Não deixo, no entanto, de reconhecer que há muita e diversa informação na Internet. Eu própria a consulto bastante e satisfaz-me, dependendo dos assuntos.)