quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

O ROMANCE - UMA FONTE DO CONHECIMENTO HUMANO


                                           

                                                                                                Filomena Leal


Um bom romance pode mobilizar as mínimas articulações do Pensar e Sentir dum leitor, ávido de diferentes mundos e ideias.
Mas é a partir do turbilhão do real, com toda a minúcia, pormenores e ritmo, que tudo se vai revelando numa visão integral e complexa da Vida.
É todo um Saber que tantos escritores famosos e grandes Leitores, celebram e recordam com gratidão nos seus Escritos.
É toda uma Alquimia de ingredientes conhecidos e transfigurados numa outra coisa ... que se liberta da fugacidade do tempo e fica...
É a Arte ( neste caso, da Palavra) que transforma a realidade perecível e como tal sentida, em algo Permanente e (quem sabe?) talvez eterno!!!
É o Romance, sim, e à sua maneira, a mostrar a diversidade de pontos de vista com personagens (algumas inesquecíveis) a viverem os seus dramas, alegrias, contradições, medos, dúvidas e emoções as mais variadas. E é toda a Incoerência Interior de mentes comuns e menos comuns, a revelar-se por monólogos interiores e fluxo da consciência, tão eficazmente utilizados em Romances com posição de destaque no salão da Memória.

Singular é afinal, o Mundo Romanesco que mostra quão espessa e complexa é a estrutura mental e emotiva do Ser Humano!!!        

(Um mundo já valorizado nos nossos dias pela precisão experimental da Ciência - é o que nos diz o cientista Damásio) 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O CONSELHO «INOCENTE» DO CARDEAL DE LISBOA



                                                                  Filomena Leal

Até parece «inocente» mas não é ( pois quem acreditaria numa realidade em que o conselho fosse seguido?)
É simplesmente o discurso duma Igreja ortodoxa que desde que me lembro, sempre colocou o acento tónico do «pecado» na vida sexual (de solteiros e casados).
Ao recomendar aos recasados « uma vida em continência», apagando a luz introduzida pela janela aberta do Papa Francisco, foi todo um vendaval dos tempos antigos que acabou por entrar na Comunidade Católica - e até dividi-la.
Foram muitas autoridades da própria Igreja a insurgir-se contra uma vida de «casados como irmãos» num casamento que sucede a outro não declarado nulo.
Desde Frei Bento Domingues que considera essa declaração um «delírio» até por ex. o Padre Lino Maia, a considerar que devem ser os 2 cônjugues a « decidir sobre a sua vida íntima» e ainda o bispo de Viseu que declara « o casamento é um sacramento e as relações sexuais são um bem», é todo um estado de perplexidade a dominar uma população na sua maioria católica e que quer continuar a sê-lo.
« Atentado contra a natureza humana» diz o Padre Anselmo Borges, teólogo e Prof. de Filosofia. Por que reconhecer então o recasamento? Podem recasar-se, mas não podem ter relações sexuais - é de crer? Recusar sacramentos àqueles que vivem como casal que são? Será esta a mensagem de Cristo nos Evangelhos tão citados nas missas?
Não seria mais justo e mais de acordo com autênticos valores morais e cristãos, recomendar a luta contra padres pedófilos, tão nocivos à Comunidade e à própria Igreja?

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

PENSAMENTO MAIS VELOZ DO QUE A LINGUAGEM?

                                                                                                         Filomena Leal

Sempre senti o pensamento mais rápido do que a sua articulação verbal.

Evoco para isso as «chamadas ao quadro» dos meus tempos de estudante colegial.

Quando a Engenheira das tranças negras (a excelente Professora de Matemática) me chamava ao quadro, para resolver alguns daqueles exercícios complicados de figuras geométricas, fazia tudo num ápice, sem falar e sem explicar as operações que se sucediam e o raciocínio que as acompanhava.

A Professora, encantada com a desenvoltura e rapidez do meu desempenho, eis que descobre de repente, existir um silêncio quase sepulcral na aula. É que eu não falava, apenas fazia sucessivas operações e apresentava com ar triunfante o resultado final (sempre correcto). Chama-me, desde logo, a atenção:

«Olha, Filó, estou deliciada com a rapidez com que resolves todos esses problemas, mas tens de explicar às tuas colegas o porquê de tudo o que vais fazendo».

No exercício seguinte, tento, mas a voz e o esforço de procurar as palavras, perturbam o fluir do pensamento. Baralho-me e é tudo muito mais lento. A articulação verbal não deixa a corrente seguir o seu curso rápido e normal. Cria pausas e até derivações.

Quem disse que sem linguagem não há pensamento?

É verdade que este precisa da linguagem para se estruturar.

Mas penso que é isso e não mais... Contudo, não tenho certezas...

E daí talvez dependa da própria experiência pessoal!!!

      (HÁ QUEM SEJA MAIS FLUIDO NO FALAR)