sexta-feira, 28 de maio de 2021

QUE DIZER DO FILME «PRAZER CAMARADAS» DE JOSÉ FILIPE COSTA?

 

                                                                                                          Filomena Leal


O interesse do realizador pelo chamado PREC (processo revolucionário em curso) é notório. O tempo visado e Revolução estão quase fundidos na linguagem cinematográfica, fora de qualquer padrão que tal período nos possa aflorar à mente. Trata-se desta vez de retratar a Revolução sexual numa Cooperativa rural. Um grupo de revolucionários europeus, atraídos pelo carácter invulgar da nossa Revolução, está atento e observa como participante aquela realidade em mutação.

Uma sexualidade reprimida e de tons obscuros, em particular das mulheres, retrata todo um passado neste domínio. E então , (quem diria?), com a liberdade de Abril, surge a descoberta dum prazer despudorado dos sentidos e do corpo. O que leva uma alemã do grupo a escrever que «leis mais difíceis de mudar são as leis não escritas. Achava mais difícil mudar a atitude dos homens com medo que lhe chamassem «maricas» do que a própria Reforma Agrária que podia ser feita por decreto».

Na verdade, o que o filme salienta é que houve apenas uma pseudo - revolução sexual, o essencial não mudou (uma sexualidade bem vivida e consciente da sua complexidade, esteve bem distante da promissora Revolução de 74).

A PROPÓSITO DUM DIÁLOGO PROFÍCUO ENTRE CIÊNCIAS E ARTES

                                                                                                                             Filomena Leal


Trata-se dum diálogo epistolar entre Carolina Michaelis, a 1ª Professora universitária de Filologia Germânica (1911) e Ricardo Jorge, médico investigador dedicado à Saúde Pública. Ambos se entendiam e se apreciavam, trocando informações e publicações de natureza literário-histórica.

Extraordinário é que o médico e Cientista exalta um maior rigor e escrúpulo nas letras do que nas ciências de observação e experiência, nomeadamente na medicina. E acaba por dizer: «Senti que o meu ser lógico se robustecera ao treinar-me nas questões da paleo-literatura».

 Não é por acaso que temos tantos cientistas, médicos, também romancistas e poetas. Dois tipos de conhecimento que, de modo algum, se excluem. Uma sociedade com futuro, terá de se impôr, através duma cultura integral a fundamentar as decisões económicas e sociais.

 Assim, Ciência e Humanidades não podem deixar de se articular e caminhar no sentido de valorizar o homem na sua diversidade, e contribuir para um Bem Estar Universal.

A FORÇA DA MULHER PARA CONSEGUIR AFIRMAR SUA IDENTIDADE

                                                                                                 

                                                                                                                         Filomena Leal


A pouca ou nenhuma visibilidade e até apagamento das mulheres através dos tempos, sempre existiu no campo das Artes e até da Ciência. Por isso, é dum grande alcance uma exposição, inaugurada a 1 de Junho na Fundação Gulbenkian com o tema: «Tudo o que eu quero» Nela são expostas 2 centenas de obras - pinturas, esculturas, desenhos, videos e objectos vários - e dar a conhecer todas as autoras artistas e redescobrir outras. Destaca-se o auto - retrato de Aurélia de Sousa, em que ela mostra um olhar desafiador em pleno século XIX. Afirma uma autoria ousada, dirigida para o mundo que não aceita mulheres com olhar e obra que as torne visíveis e reconhecidas do mesmo modo que aos homens. Ainda hoje, o sistema exige que as mulheres tenham de ser mais esforçadas, competentes, e até mais talentosas que os homens, para conseguirem alguma visibilidade. 

REPARAR E RESGATAR é o que esta exposição pretende alcançar. É de esperar que mostre muito do que tem sido ignorado. E desejável é que movimentos destes não fiquem INERTES.