terça-feira, 31 de julho de 2018

SOBRE LEITURA E LIVROS




                                                                                                Filomena Leal



Harold Bloom dizia que «para ler nunca haverá demasiado tempo». E assim é.
Sinto que a vida é curta e o tempo pouco, para ler e reler tudo aquilo que gostaria.
Há livros que precisam de ser relidos, para se captar todo o prodigioso que encerram. Há livros até que são de cabeceira: por mais que se leiam, não saciam a fome dos múltiplos sentidos, das pequenas frases que abrem horizontes. 
E sempre outros.
A necessidade interior de viajar, correr mundo e conhecer pessoas, pode ser satisfeita através  da  leitura. Por vezes até lendo fragmentos apenas de livros possuídos mas ainda não lidos, ou dos quais se ouviu falar com ênfase a ensaístas de nomeada.
Sim, porque os autores só têm a ganhar com as múltiplas e diversas leituras de especialistas, aos seus livros.
Que de subjectividades a comentar o mesmo livro!!!
E como pequenos detalhes analisados por quem sabe ler, nos podem dar visões do mundo do próprio autor de que ele (imagine-se!) nem sequer tinha consciência!
Mas a verdade é que tenho muitos livros que gostaria de ler
e até de reler, mas o tempo, sempre, sempre a correr não deixa...
  

sábado, 28 de julho de 2018

É URGENTE LUTAR CONTRA A DESERTIFICAÇÃO DAS ALDEIAS E VILAS DO INTERIOR




                                                                                            Filomena Leal


Com medidas radicais e destemidas, sim.
Os estudos estão feitos, proclama-se a coesão territorial, mas existe um Estado hipercentralizado, incapaz de olhar para o país  como um todo, condenando há décadas 3/4 do território à desertificação.,
Bem diz Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares que os problemas do País e a luta contra o despovoamento tem de ser um «desígnio nacional», mas tudo isso será para quando? Sempre e cada vez mais tarde, sem a possibilidade de «inverter» e até de  «suster» a situação?
Os interioristas, os poucos que ainda resistem e lutam pela sobrevivência, valorização e relativo desenvolvimento das suas terras, ficarão mais uma vez entregues ao determinismo  da «inevitabilidade» de que há pouco a fazer naquelas terras tão longínquas dos grandes centros que é «onde tudo existe e tudo se decide»?
E todos os sinais que se deram ao fechar escolas, fazer desaparecer postos de saúde e de correio e outros serviços públicos de 1ª necessidade? Que mensagem se manda a alguém que até pode estar a ponderar instalar-se no território onde o  Estado foi saindo sempre com o pretexto de não haver pessoas?
Tudo isto afinal, acompanhado pela contínua quebra demográfica.
Para além disso e com muita relevância, o investimento com os fundos estruturais, onde se tem concentrado? Nas zonas mais desenvolvidas, incluindo Lisboa. Entretanto, medidas de descriminação positiva há muitas, mas algumas aquém da urgência necessária, sem data sequer para entrarem em vigor.
Foi a tragédia dos fogos que fez com que os políticos se dignassem olhar para 3/4 do território nacional com olhos de ver e até de espanto! Repararam então que faltava a mão do homem a tornar a natureza menos bravia e mais à sua medida.
A terra foi abandonada e os senhores do Poder há mais de 40 anos, nada fizeram para reter a população. O êxodo foi dantesco, no interior diminuiu 37,5%, enquanto no litoral aumentou 52%. Um desiquilíbrio sem igual. Não teria sido possível seguir o modelo de desenvolvimento dos espanhóis onde vilas e cidades médias foram capazes de reter a emigração nas zonas de origem? ( e nós sabemos que famílias jovens e menos jovens, saturadas da vida alienante e cansativa das grandes cidades e arrabaldes, ao instalarem-se em terras do Interior, sentem uma mudança qualitativa nas suas vidas. Até porque os recursos naturais são imensos para quem os sabe valorizar, e as condições de vida já não são propriamente as mesmas de há 40 anos).
Ao percorrer este país com casas, ruas e aldeias fechadas (algumas recentemente queimadas), com uma escassa população de velhos que tiveram uma vida hiper-activa no passado, sós e sem o afecto das suas gentes, sente-se o abandono a que o Estado os votou, retirando-lhes ainda os serviços de proximidade. Quem os compensará daquela nota de alegria dada pelo chilreio de crianças (poucas que sejam) duma Escola do 1º ciclo?