segunda-feira, 27 de abril de 2020
A VASSOURA, COMO INSTRUMENTO SIMBÓLICO DUM TRABALHO QUOTIDIANO VITAL
Filomena Leal
Como nos diz o poeta Cardeal José Tolentino Mendonça, há um registo humilde que nos leva mais rapidamente a adaptar a situações novas e que se chama Vassoura. Pegar nela, mais do que em qualquer outra coisa, facilita a adequação a algo de concreto e ao ritmo do quotidiano.
Ideias, teorias relevantes decerto, não valem só por si, pois precisam duma prova de aplicabilidade adequada à realidade.
E essa entrega voluntária ao serviço prestado pela vassoura, dá Saber e ensina-nos imensas coisas que doutra maneira, o acesso a elas seria difícil.
E é simbolicamente o sujar as mãos no cuidar da vida, que elas se descobrem como operadoras e protagonistas da história.
Será então isso que a vassoura transmite, ao revelar o exercício prático do cuidado ínfimo, elementar, (da limpeza), e dá-nos assim a conhecer o mundo onde estamos e o que se espera de nós. E temos de imediato aqui como valor primordial de toda a comunidade, não só estético mas sanitário, a Higiene.
E... sem os Profissionais de limpeza, como seria? E será que damos o valor devido em remuneração e respeito a esta classe social? Desde o varredor de rua à funcionária da limpeza (hoje também já se vêem funcionários) que higienizam escritórios, fábricas, restaurantes, casas e tantos outros espaços, que qualidade de vida nós teríamos?
E contudo, são estes obreiros da limpeza com vassoura, esfregona e kits eficazes, para bem desempenharem o seu mister, que tornam os espaços mais habitáveis e potencialmente saudáveis.
Alguma vez se fez a conta do VALOR disso?
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