sábado, 30 de novembro de 2019

A BELEZA SENTIDA E INVESTIGADA POR NEUROCIENTISTA




                                                                                                              Filomena Leal

O neurocientista britânico Senier Zeki considera como 1ª definição de beleza verdadeira a que experimentou quando aos 17 anos viu a Pietà de Miguel Ângelo no Vaticano - uma Beleza poderosa e emocionante.
Mas depois refere-se à experiência da Beleza a partir da neurobiologia.
Neste caso, relaciona-a com a actividade na parte do cérebro emocional, quer seja visual, musical, moral ou matemática.
E quais os mecanismos neurológicos, ao experienciarmos  Beleza? Quando vemos cores ou rostos? Paisagens?
A beleza não é tão subjectiva como por vezes se pensa. Há uma beleza que é biológica e sem discordância. Pessoas muito bonitas de cuja beleza ninguém consegue discordar.
Relativamente  a pessoas «normais», já há muita subjectividade.
Depois há a beleza fabricada, desde a arquitectura à escultura, pintura, em que a proporção, harmonia (de dimensões matemáticas, por vezes universais) nem sempre é bem entendida, embora tenha um certo grau de objectividade.
É dito mais: que tudo o que foi conhecido pelos grandes da Literatura (Shakespeare, Balzac, Vergínia Woolf, Zola) àcerca da psicologia humana e comoveram tanta gente em todo o mundo, foi através duma poderosa Beleza da Escrita.
A própria tristeza pode ser uma fonte de Beleza, tal como as fórmulas matemáticas, o binómio de Newton, que seduzem e apaixonam investigadores e até poetas!... E o cérebro é tanto mais activo quanto mais Bela e intensa uma coisa fôr para cada um de nós.  Como é que a Pietà faz chorar quem nem sequer conhece a religião cristã? O que tem de Beleza aliada a um sublime inexplicável e que comove profundamente, muita da Música de Mozart?
Cientificamente e é o neurocirurgião que o diz:
«Sabemos apenas que em tais situações, o Cortex Frontal do Cérebro está em grande e plena actividade».

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

A INTERMINÁVEL NECESSIDADE DE ESCUTA


                                                                                                           Filomena Leal


Necessidade mas nem sempre disponibilidade.
A verdade é que, como dizia Alberto Caeiro: «Não basta abrir a janela/para ver os campos e o rio/Não é bastante não ser cego/para ver as árvores e as flores». E ouvir o canto das cigarras na poesia de Eugénio de Andrade, aprender a conhecer o Verão, com todos os cheiros, cores e música de quem aplica todos os sentidos à realidade, não é tão simples assim.
É uma sabedoria de que nos fomos afastando, tal como a fábula de La Fontaine - a Cigarra e a Formiga - o ilustram bem.
A crítica ao viver só a cantar e disso fazer a sua ocupação, não preparar o Inverno com provisões, é toda uma Visão Utilitarista do mundo que nos foi inculcada e nos fechou a porta a tudo aquilo que consideramos inútil e afinal, nos é tão Essencial!!!