sábado, 30 de junho de 2018

DESVALORIZAR AS HUMANÍSTICAS É DEPRECIAR VALORES FUNDAMENTAIS




                                                                                                 Filomena Leal



Parece realmente existir a ideia de que as sociedades ocidentais sacrificaram o papel  das Humanidades na formação dos educandos. 
História, Filosofia ou Literatura perderam espaço na carga horária e currículos escolares. A técnica e Ciência começaram a ser propagandeadas como o grande baluarte do desenvolvimento.
Nada tenho contra elas (sempre acompanhei as conquistas da Ciência e até das Novas Tecnologias com bastante interesse), mas não chegam para dar resposta aos anseios mais profundos do ser humano. E assim é que acabam por nele criar um grande Vazio, conduzindo-o à ideologia do Consumo, a grande máxima do sistema neo-liberal em que o Dinheiro é tudo e tudo justifica.
E eis que a hecatombe surge.  Como iremos sair desta globalização fraudulenta, selvagem e sem regras, quando tanto nos parecia prometer? 
Afinal, destruiu (ou enfraqueceu) valores de sempre, por algo sedutor, mas frágil  e demasiado inseguro. 

terça-feira, 26 de junho de 2018

O CÉREBRO E SUA COMPLEXIDADE




                                                                                           Filomena Leal

Reli o livro do escritor inglês David Lodge sobre CONSCIÊNCIA E ROMANCE e entusiasma-me sempre a sua leitura. Nele concluo mais uma vez que o fluir da Consciência nas personagens do Romance moderno, não é linear. E isso é bem o sinal de que são os poetas e romancistas os primeiros a intuir fenómenos àcerca da natureza humana que serão mais tarde analizados e por vezes provados pela Ciência. É o caso da própria Consciência que cientistas como António Damásio, reconhecem localizar-se no cérebro, o grande Processador de mil programas. Nele, emoção e sentidos têm um grande papel que o Consciente muitas vezes ignora (e é aqui que entra a importância que os neurobiólogos dão actualmente à Psicanálise de Freud com a «descoberta» do Inconsciente).
O Cérebro é afinal, aquele pandemónio que recebe simultâneamente montanhas de informação e a tem de ordenar, não por Secções, mas Associando-a.
E nisto consiste a grande complexidade do cérebro feminino, onde são mais visíveis todas as conexões do tumultuoso mundo cerebral.
E o do homem funcionará  tal e qual?

sexta-feira, 1 de junho de 2018

ANTÓNIO ARNAUT E O SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE - O SEU BELO E GRANDIOSO «POEMA»



                                                                                              Filomena Leal


O grande «poema» da sua vida e o que mais mudou a vida dos portugueses. Foi assim que o poeta e «homem do povo»  classificou o maior e melhor serviço que a Revolução de Abril trouxe a todos nós. 
Escreveu muito e alguns poemas, mas o Serviço Nacional de Saúde foi, sem dúvida, o que resultou, com um êxito sem precedentes, duma luta persistente e generosa por melhores condições de vida a uma população, até aí tão carente de apoio na doença e sem recursos materiais para se tratar.
E eis que foi a Saúde a guindar-nos a altos níveis no contexto dos países desenvolvidos. É de destacar aqui os cuidados de assistência à maternidade e primeira infância, um dos grandes triunfos da medicina Pública, com estatísticas de 1ºMundo.
Nunca António Arnaut se esqueceu do mundo rural e «deserdado» em que nasceu, e do sonho de nele introduzir mudanças, caso tivesse poder para tal. Apesar de muitas resistências e contestação, foi sempre em frente e em Setembro de 1979 a «controversa»lei do SNS entra em vigor. E pobres e ricos dele começaram a beneficiar, pois durante muitos anos foi um sistema de quase excelência. E é o próprio António Arnaut que recentemente terá dito: «EU ESTOU VIVO, GRAÇAS AO SNS. DE OUTRA FORMA, NÃO TERIA TIDO DINHEIRO PARA FAZER TANTAS ANÁLISES, TANTOS TRATAMENTOS...»
Liberdade, igualdade e justiça social eram os seus valores que defendia inabalavelmente, sem estar sujeito a pressões ou interesses.
É de realçar também a sua veia literária, de que o romance Rio de Sombras (2007) é um bom exemplar. Assim, para além da sua última mensagem pública em defesa do SNS, que, segundo ele, «enfrenta uma crise profunda», sugere então «a leitura dos seus livros para quem o quiser conhecer melhor».
E a importância da ética no desempenho dos cargos públicos, não deixará de estar presente em todos eles, como esteve continuamente na sua Vida de Homem Bom e Lutador pelo que é Justo.