sábado, 28 de julho de 2018

É URGENTE LUTAR CONTRA A DESERTIFICAÇÃO DAS ALDEIAS E VILAS DO INTERIOR




                                                                                            Filomena Leal


Com medidas radicais e destemidas, sim.
Os estudos estão feitos, proclama-se a coesão territorial, mas existe um Estado hipercentralizado, incapaz de olhar para o país  como um todo, condenando há décadas 3/4 do território à desertificação.,
Bem diz Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares que os problemas do País e a luta contra o despovoamento tem de ser um «desígnio nacional», mas tudo isso será para quando? Sempre e cada vez mais tarde, sem a possibilidade de «inverter» e até de  «suster» a situação?
Os interioristas, os poucos que ainda resistem e lutam pela sobrevivência, valorização e relativo desenvolvimento das suas terras, ficarão mais uma vez entregues ao determinismo  da «inevitabilidade» de que há pouco a fazer naquelas terras tão longínquas dos grandes centros que é «onde tudo existe e tudo se decide»?
E todos os sinais que se deram ao fechar escolas, fazer desaparecer postos de saúde e de correio e outros serviços públicos de 1ª necessidade? Que mensagem se manda a alguém que até pode estar a ponderar instalar-se no território onde o  Estado foi saindo sempre com o pretexto de não haver pessoas?
Tudo isto afinal, acompanhado pela contínua quebra demográfica.
Para além disso e com muita relevância, o investimento com os fundos estruturais, onde se tem concentrado? Nas zonas mais desenvolvidas, incluindo Lisboa. Entretanto, medidas de descriminação positiva há muitas, mas algumas aquém da urgência necessária, sem data sequer para entrarem em vigor.
Foi a tragédia dos fogos que fez com que os políticos se dignassem olhar para 3/4 do território nacional com olhos de ver e até de espanto! Repararam então que faltava a mão do homem a tornar a natureza menos bravia e mais à sua medida.
A terra foi abandonada e os senhores do Poder há mais de 40 anos, nada fizeram para reter a população. O êxodo foi dantesco, no interior diminuiu 37,5%, enquanto no litoral aumentou 52%. Um desiquilíbrio sem igual. Não teria sido possível seguir o modelo de desenvolvimento dos espanhóis onde vilas e cidades médias foram capazes de reter a emigração nas zonas de origem? ( e nós sabemos que famílias jovens e menos jovens, saturadas da vida alienante e cansativa das grandes cidades e arrabaldes, ao instalarem-se em terras do Interior, sentem uma mudança qualitativa nas suas vidas. Até porque os recursos naturais são imensos para quem os sabe valorizar, e as condições de vida já não são propriamente as mesmas de há 40 anos).
Ao percorrer este país com casas, ruas e aldeias fechadas (algumas recentemente queimadas), com uma escassa população de velhos que tiveram uma vida hiper-activa no passado, sós e sem o afecto das suas gentes, sente-se o abandono a que o Estado os votou, retirando-lhes ainda os serviços de proximidade. Quem os compensará daquela nota de alegria dada pelo chilreio de crianças (poucas que sejam) duma Escola do 1º ciclo? 

Sem comentários:

Enviar um comentário