quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
A ESCRITA E DURAÇÃO NO TEMPO
Filomena Leal
É A.Lobo Antunes que tanto escreve e tão profundamente trabalha a escrita, que dela nos fala e com muita frequência.
Diz ele que começou por fazer versos aos 13 anos, mas logo viu que o seu talento seria a prosa. E, apesar de ser horrível, logo teve a certeza que iria fazer o que nunca antes dele, se fizera.
Não se preocupava nesse tempo com a forma interna, o uso das palavras no interior do texto, ou seja, com problemas técnicos.
A verdade é que a maior parte dos leitores exige resultados, sendo-lhe indiferente o meio de os atingir. Mas a ele e a muitos escritores, o que os atrai num livro, por dever de ofício, é desmontá-lo, vê-lo por dentro, os parafusos, as rodas dentadas, os amortecedores, a tralha escondida que põe tudo a funcionar.
Há uma frase de John Cheever «numa boa página de prosa ouve-se chover» Como se chega a isso é a questão que Lobo Antunes coloca. E que imagem ficará dele na sua escrita? pergunta.
A de que tentou a vida inteira conseguir vários níveis de emoção em cada frase e Concentrar num Nada o Mundo Todo. Ao morrer, deixa parágrafos.
Na esperança que as asas queimadas dos insectos do crepúsculo contra a lanterna do alpendre, crepitem não um segundo, mas a Eternidade inteira.
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