quarta-feira, 26 de junho de 2019

SALVAR NÁUFRAGOS PASSA A SER CRIME? COMO É POSSÍVEL?




                                                                                                               Filomena Leal


E é o Governo italiano - inserido na Europa e seus valores humanitários - que acusa o português Miguel Duarte do crime de «ajudar a imigração ilegal».
Resgatar náufragos é um dos princípios morais mais antigos da humanidade. E na própria legislação portuguesa está previsto o «dever de auxílio» como obrigação, quando se trata de salvar vidas.
Como é possível pois, não lutar contra o grande escândalo moral do nosso tempo que é deixar o Mediterrâneo ser o infindo cemitério de milhares de pessoas desesperadas e esperançadas numa vida digna?
Como é possível não fazer oposição à falta de ajuda a quem se sujeita aos maiores riscos e tortura para sobreviver?
Os Direitos Humanos de que a Europa se fez há muitos anos paladina, não serão Direito de todos estes seres massacrados por uma guerra de que fogem e lhes tira qualquer esperança de vida? Deixá-los morrer,  não será, isso sim, um crime desprezível contra a Humanidade? Se nós aceitamos isso, o que resta da solidariedade e fraternidade humanas?
Urgente será um sistema de protecção a refugiados, com medidas que os ajudem a fixar-se com segurança e dignidade
nesta Europa que os deve acolher, assumindo assim, toda a sua identidade humanista. Todo um Bem Fazer, sem descurar o contrôle evidente e necessário de riscos possíveis,
 mas superáveis.
Deixar morrer náufragos e punir quem lhes «estende a mão»?
Como é possível tal desumanidade?



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