Filomena Leal
É duma elementar justiça reconhecer estes trabalhos - de cuidados e limpeza - como Sustentáculo essencial da vida colectiva e valorizá-los como tal.
Para além de serem mal pagos, porque desqualificados, até se pode dizer que eles não existem na própria consciência das pessoas, como integrados na economia. E isso acontece, porque uma grande parte deles é visto como sendo de «mulheres», que tradicionalmente é quem cuida e sustenta a vida familiar e doméstica. Por isso mesmo, são quase inexistentes e não exigem pagamento.
No entanto, foram os trabalhadores de cuidados e limpeza que, durante o confinamento exigido pela pandemia, continuaram sempre a cuidar dos hospitais naquilo que de básico eles necessitam. É claro que correram riscos e arriscaram a vida.
E a verdade é que, quando foi aplaudido o trabalho dos profissionais de Saúde mui justamente, o trabalho da limpeza e outros cuidados nem sempre foi lembrado, e muito menos, com a relevância que merecia.
O modo hierárquico como funcionam as nossas sociedades terá pois, de ser alterado e substituir o conceito de Desenvolvimento pelo de Qualidade de Vida. Impõe-se assim um novo paradigma que integre este trabalho na dinâmica da Economia, dignificando-o, e a todos aqueles que o realizam.
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