Filomena Leal
O interesse do realizador pelo chamado PREC (processo revolucionário em curso) é notório. O tempo visado e Revolução estão quase fundidos na linguagem cinematográfica, fora de qualquer padrão que tal período nos possa aflorar à mente. Trata-se desta vez de retratar a Revolução sexual numa Cooperativa rural. Um grupo de revolucionários europeus, atraídos pelo carácter invulgar da nossa Revolução, está atento e observa como participante aquela realidade em mutação.
Uma sexualidade reprimida e de tons obscuros, em particular das mulheres, retrata todo um passado neste domínio. E então , (quem diria?), com a liberdade de Abril, surge a descoberta dum prazer despudorado dos sentidos e do corpo. O que leva uma alemã do grupo a escrever que «leis mais difíceis de mudar são as leis não escritas. Achava mais difícil mudar a atitude dos homens com medo que lhe chamassem «maricas» do que a própria Reforma Agrária que podia ser feita por decreto».
Na verdade, o que o filme salienta é que houve apenas uma pseudo - revolução sexual, o essencial não mudou (uma sexualidade bem vivida e consciente da sua complexidade, esteve bem distante da promissora Revolução de 74).
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