Filomena Leal
Lembro o ano de 1973, quando surge no dia 6 de Janeiro um jornal desafiador do caquético Estado Novo. Claro é que não deixou de ser deveras incomodado pela Censura. Mas para os leitores habituais de jornais, ávidos de notícias credíveis e artigos de temas actuais e polémicos, foi um Acontecimento. O principal Fundador - Francisco Pinto Balsemão - fôra um dos deputados da Ala Liberal que pretendia implementar medidas no terreno das liberdades. Contudo, a pretendida transição da ditadura para a Democracia foi entretanto travada, e os deputados dela defensores, passaram à Oposição. Pinto Balsemão, com uma equipa bem preparada e muito empenhada, surge com o Semanário EXPRESSO a perturbar profundamente a tão proclamada «primavera marcelista».
Recordo então o ambiente na sala dos Professores do Liceu D. Dinis, onde tinha sido colocada recentemente. Era deveras estimulante. E discutiam-se as «últimas» do EXPRESSO, que saira no fim de semana. Todo ele já estava imbuído duma visão democrática. E na Escola o desejo de mudança pairava no ar... papeis subversivos eram postos a circular por alunos finalistas conscientes da situação. E tudo ficou mais tenso quando o Sr. reitor indaga a autoria e não resiste a chamar a polícia. Não calculou que poderia ter um «julgamento humilhante» e justiceiro em breve, como aconteceu. A Escola em peso assistiu e apoiou os alunos por ele vitimados (os excessos revolucionários!)
Passaram 51 anos. E a verdade é que «face à floresta cada vez mais densa e labiríntica das redes sociais», o EXPRESSO continua vivo e é um dos poucos jornais a funcionar como «porto de abrigo» como lhe chamou e com razão o seu Fundador. Mil agradecimentos pois, ao Jornal Expresso e a toda a equipa que nele trabalha (em particular à da Revista que muito prezo).
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