Filomena Leal
Sempre senti o pensamento mais rápido do que a sua articulação verbal.
Evoco para isso as «chamadas ao quadro» dos meus tempos de estudante colegial.
Quando a Engenheira das tranças negras (a excelente Professora de Matemática) me chamava ao quadro, para resolver alguns daqueles exercícios complicados de figuras geométricas, fazia tudo num ápice, sem falar e sem explicar as operações que se sucediam e o raciocínio que as acompanhava.
A Professora, encantada com a desenvoltura e rapidez do meu desempenho, eis que descobre de repente, existir um silêncio quase sepulcral na aula. É que eu não falava, apenas fazia sucessivas operações e apresentava com ar triunfante o resultado final (sempre correcto). Chama-me, desde logo, a atenção:
«Olha, Filó, estou deliciada com a rapidez com que resolves todos esses problemas, mas tens de explicar às tuas colegas o porquê de tudo o que vais fazendo».
No exercício seguinte, tento, mas a voz e o esforço de procurar as palavras, perturbam o fluir do pensamento. Baralho-me e é tudo muito mais lento. A articulação verbal não deixa a corrente seguir o seu curso rápido e normal. Cria pausas e até derivações.
Quem disse que sem linguagem não há pensamento?
É verdade que este precisa da linguagem para se estruturar.
Mas penso que é isso e não mais... Contudo, não tenho certezas...
E daí talvez dependa da própria experiência pessoal!!!
(HÁ QUEM SEJA MAIS FLUIDO NO FALAR)
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