quarta-feira, 23 de maio de 2018
UM SOL RADIOSO QUE OFUSCA E UMA ÁGUA BARULHENTA QUE ACALMA
Filomena Leal
Foi na passada 5ªfeira, dia 17 de Maio. O Sol brilhante, abraçava a montanha com fulgor. Senti de imediato, grande incómodo. Nem sabia o que fazer: com tanta luz a penetrar nos recantos mais recônditos e secretos, era difícil ver o que estava para além do iluminado - o olhar paralizava.
Sempre me senti ofuscada com a intensidade da luz solar. Ela corta-me a visão, o desejo de pensar com os olhos o que vejo e acima de tudo o que não vejo - o suscitado pelo que está à vista. Com luz excessiva não há mesmo nada a vislumbrar - é só o que se vê, sem deixar ver mais nada.
Claro que, com este excesso de sol febril, só poderia compensar-me, caminhando até à ribeira. Aí , sim, mais indirecto, e o som contínuo da água a cair, o próprio Sol ficou mais que gostoso! E também apreciei assim melhor a beleza daquela água que sem desfalecer, sem recuos, seguindo sempre o seu caminho, por vezes com mais ímpeto, dando mais uma voltinha, desviando um pouco p'ra aqui, outro p'ra ali e eis que retoma todo o caudal sempre a direito, sem hesitações.
Fascina-me ver e sentir correr e cair a água assim pura, plena, desamparada, aparentemente sem destino.
O mar, as ondas, são outra coisa! Há um ritmo, um movimento de cólera que depois se desfaz. Há um acumular de energia silenciosa que se vai alteando em vagas enormes e barulho ensurdecedor. Depois, é só espuma.
Sem dúvida que é a Água da ribeira, furibunda por vezes, a gerar-me aquele equilíbrio cósmico de que frequentemente careço.
Cheguei a casa e eis que me esperava um entardecer dourado ...
«GRACIAS À LA VIDA»foi, então, a canção que me apeteceu ouvir!..
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