segunda-feira, 21 de setembro de 2020

COMO NÃO LEMBRAR A BRILHANTE CIENTISTA MARIA DE SOUSA?

 

                                                                                                       Filomena Leal


A par do impulso que a leva a dedicar a sua vida à Ciência, em que se envolve como se de paixão se tratasse, não deixa também de ser poeta. São dela as frases « A melhor Ciência está próxima da Poesia». E ainda «Se temos uma aproximação ao mundo com alguma profundidade e sensibilidade, sabe-se que o que vai durar são as palavras. E quem faz Ciência sabe que o que faz é transitório»

É, pois, mulher de 2 culturas: Ciência e Arte. Sente e vive as afinidades entre elas. E, assim é que a Beleza encontrada na Ciência através da escolha dum pedaço da natureza até ele se revelar por investigação aturada, é mui semelhante à obra do Artista, em que ele mergulha num relacionamento activo e amoroso até a finalizar (embora nunca a termine verdadeiramente).

A descoberta científica para Maria de Sousa  que inspirou tanto em Portugal como no mundo, gerações de cientistas, sempre funcionou como «um momento de êxtase muito íntimo» (segundo ela própria diz). Especializada no ramo da Imunologia, foi neste campo que ela fez descobertas importantíssimas reconhecidas internacionalmente.

Mas a sua visão ampla do mundo que não é comum a muitos cientistas, levava-a a abraçar com todo o entusiasmo a relação entre Conhecimento e Sociedade, Ciência e Arte.

E finalmente:

Preocupada como estava sempre com a Próxima Questão, é de lamentar a falta que nos vai fazer a sua investigação rigorosa e apaixonada como Imunologista, na descoberta que seria um momento de Êxtase Colectivo e Salvador nesta pandemia que tão tragicamente nos baralhou a vida.

P.S. Maria Sousa, a Cientista Poeta, deixou-nos a 14 de Abril deste ano, vítima da pandemia e contagiada na clínica onde fazia hemodiálise.  

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