Filomena Leal
Somos o nosso Corpo. É ele que nos identifica e nos faz sentir globalmente como Pessoa.
É sempre prodigioso, seja quando possui ou não uma beleza e um esplendor quase imaterial, ou quando o corpo de «passerelle» não existe ou quando é memória apenas.
É sempre «pleno», desde que se tenha uma autoconsciência do eu, em tudo o que nele vai sendo criado no decorrer de toda uma vida.
É sempre o transmissor daquilo que no homem é superiormente elevado e que este absorve e sublima numa operacionalidade sem limites.
Do corpo-mente se desprende então o imaterial ou seja, o pensamento, imaginação, emoções, sonho. E é o cérebro, a grande máquina estrutural do Corpo que vai sendo habitado por toda uma série de aprendizagens desde o nascimento e durante a vida. Tem, na verdade, uma plasticidade que dialoga com o contexto e pode funcionar em áreas diferentes das que deixaram de o fazer por traumatismos vários.
Mas a sublimação que torna o «Corpo Espiritualizado», segundo a óptica de Vergílio Ferreira, dá-se muito através da Arte, seja qual fôr a sua manifestação. E assim é que escrever Romances é considerado um acto sublime do homem, ligado à consciência e linguagem, processo altamente complexo a nível biológico. O próprio António Damásio, o neurocientista que tem aprofundado todos estes temas, sublinha que uma obsessão do cérebro será, de certo, Contar Histórias. Aí se encontrará também a essência da Compaixão e o princípio da Moral.
E, para terminar, todos temos direito a ter o Corpo que temos: gordo, feio, enrugado, belo, homossexual, preto, amarelo, etc.
Um Corpo livre e liberto de qualquer opressão e desumana violência racista e/ou de género.
PS. No entanto, este corpo-maravilha do homem é frágil, face aos ataques agressivos de minúsculos seres vivos, como bactérias e/ou virus que podem mesmo destruí-lo. É o caso desta pandemia global que declarou uma feroz guerra ao corpo do homem, talvez quem sabe? por todos os excessos ambientais e de consumo, praticados pelo homem e que matam outros seres do Cosmos.
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