Filomena Leal
Sem a palavra, como seria? Como evoluir? A palavra justa, precisa que possa intervir no presente e potenciar o futuro, não será acção? E saber ler as palavras, que têm a ver com política, vida social, vontade de agir, é já mexer no mundo e procurar transformar a realidade. Não será isso que verdadeiramente nos define como humanos?
Falar ou conversar, debater, é fulcral para interagirmos. Depois, a palavra escrita que tem perpetuado desde sempre a memória dos homens e do acontecer histórico em todas as áreas da nossa vivência.
Daí que o aceitar que uma imagem v,ale mais que mil palavras, é consentir que a palavra se submeta à imagem, seja desvalorizada e acabe por ir morrendo. Porque a imagem, por mais atraente e significativa que seja, não tem a mesma função da palavra.
Foi com as palavras que, o ser humano aprendeu a melhor comunicar, a evoluir, a pensar melhor, a ampliar conhecimentos e abrir horizontes. Foi com elas que se construíram sociedades de maior lucidez, com capacidade crítica e onde a criação artística e literária têm papel de relevo na conquista duma certa felicidade e realização face aos limites da insatisfatória realidade quotidiana.
No tempo presente, em que a palavra, os livros são desprezados a favor das imagens mercê do impacto visual e real atracção, é imperioso reabilitar a palavra e salvar muito do que conquistámos, inclusive a própria liberdade. É que as ditaduras e regimes autocráticos receiam sempre o domínio da palavra, feita livro, literatura, cultura.
E a ignorância, carente da palavra e de tudo o que com ela se relaciona, como seja a Educação, é o que agrada a todos aqueles que têm apreço pela submissão dos povos e suas gentes.
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