Filomena Leal
Sem a componente consciente dos nossos estados mentais, teríamos imagens a fluir-nos pela mente, segundo António Damásio, o investigador por excelência, das questões levantadas pela «misteriosa» consciência. Imagens essas que não seriam de ninguém. «Fluiriam à deriva e ninguém poderia saber a quem pertenciam»
Nada se pode saber, pois, sem consciência. Foi o bem estar e prazer consciente que levaram os seres humanos a conceber e promover condições favoráveis a uma vida mais feliz e rica de sentido. E, ao estarem cônscios da tragédia da morte, rebelam-se mas lutam. Ateus ou religiosos, uns procuram consolo nas religiões e/ou sistemas filosóficos, outros na defesa de causas ou centrando-se na Arte, a grande rectificadora da vida.
O que é a criação do mito de Sísifo, senão a plena consciência de que não há salvação possível para o homem que nasce, e cedo ou tarde tem que morrer? Mas foi ela também que levou o ser humano, diversamente dos outros seres vivos, a ascender às Culturas diferenciadas e a ir mudando o rumo da história dos homens. E assim o homem foi dando sentido a uma vida finita, a continuar-se através de testemunhos criativos e uma cada vez maior complexidade inventiva e realizadora.
Nada seria como é, com toda a beleza integradora duma Natureza e Cultura, sem a admirável Mente Consciente do ser humano.
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