domingo, 24 de outubro de 2021

IGREJA PROTEGE PADRES PEDÓFILOS?

                                                                                               

                                                                                               Filomena Leal


Tudo leva a crer que sim - a hierarquia da Igreja Católica encobriu durante décadas, os abusos sexuais dos seus padres com crianças à sua guarda, em colégios e paróquias. Para além da indignação que esses abusos suscitam, é deveras chocante a forma como a Igreja tem lidado desde sempre, com esses padres e com as crianças vítimas de tais abusos.                                           A investigação sobre tais abusos praticados pelo clero, raramente tem partido da Igreja, mas de denúncias da imprensa ou pressão política. O caso francês com uma comissão liderada por um reputado magistrado é exemplo disso. 300.000 menores abusados sexualmente foi o nº por ele estimado de crianças violadas por padres desde 1950.                                                           Mas em Portugal a opção tem sido o silêncio, quebrado por declarações pouco próprias de quem precisaria de prestigiar a Igreja e não desvalorizá-la, banalizando-a como instituição.           Lembro as palavras do bispo do Porto em 2018 :que os abusos haviam sido «um fenómeno fundamentalmente de países anglo-saxónicos» e em 2019 uma comparação célebre : «ninguém cria uma comissão para estudar os efeitos  de um meteorito na cidade do Porto. É possível que caia um meteorito? É. Justifica-se uma comissão dessas? Porventura não.» Na sequência desta, ouvimos perplexos as mais recentes declarações de D. Américo Aguiar, bispo auxiliar da diocese de Lisboa ao considerar que a pedofilia é um «crime transversal à sociedade. Se querem vasculhar o passado da Igreja e elaborar relatório semelhante ao francês, que esse levantamento seja transversal e não apenas focado nos membros do clero.» 

Será a Igreja Católica uma instituição como qualquer outra das muitas que existem no país? Como é possível um bispo da Igreja rebaixá-la desta maneira, desvalorizando os actos bárbaros cometidos por membros seus e toda a cumplicidade em ocultá-los? Será Cristo a inspirar tais atitudes e declarações?                    Quão férrea tem que ser a crença para resistir a tais violências!...


Nota de Julho 2022 - Mais uma vez a Igreja é notícia por más razões. A sua atitude representada pelos 2 últimos cardeais (D. José Policarpo e D. Manuel Clemente) face à denúncia de abusos sexuais por sacerdotes seus, continua a ser a ocultação desses crimes, ignorando ou não dando relevância ao sofrimento das vítimas desses repugnantes actos.                               



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