domingo, 21 de novembro de 2021

QUE ESPANTO É ESTE DE HAVER FALTA DE PROFESSORES?

                                                                                                    Filomena Leal

E eu respondo com outra pergunta:

QUEM QUER AINDA SER PROFESSOR?

Li há tempos o artigo da Professora Carmo Machado na Visão. Conheci-a na Escola Secundária D.Dinis onde foi colocada ainda muito jovem e eu já em plena maturidade. Todo o Grupo de Português e Francês, muito solidário e sempre ávido de inovação pedagógica, muito a apreciou. O entusiasmo e vontade de se entregar com dedicação e competência aos alunos das várias turmas dos diferentes níveis que lhe foram confiadas, fizeram brilhar de satisfação os olhos da maioria. Aliás, não era única - havia um grupo de jovens professores recém chegados com certo espírito de «missão», personalizando o mais possível a aprendizagem e o interesse pelo desenvolvimento dos seus alunos.

E a verdade é que senti aquele tempo como um ponto alto na Educação, em geral, e naquela Escola, em particular. Era bem visível a preocupação de todos os intervenientes, em criar um ambiente, onde alunos, professores e funcionários se sentissem bem e motivados no seu trabalho. Como a professora Carmo explicita no seu justificado desabafo, os professores empenhavam-se com ânimo e energia, mesmo alegria, em preparar os seus alunos o mais eficazmente possível.                 

Lembro-me de como éramos críticos relativamente a muitas das instruções, prolixas e pouco conhecedoras da realidade das escolas que vinham do Ministério da Educação. Do aceso debate no Conselho Pedagógico, o relatório da nossa visão sobre elas, era enviado para essa «Casa de Eleição» que o pedira mas pouca atenção lhe dava.

No entanto, embora as mudanças constantes e inconsistentes a que as escolas eram submetidas, tivessem efeitos perniciosos na aprendizagem e comportamento dos alunos, os professores, continuamente alvejados socialmente, foram sendo poupados pela tutela. Até que...num governo de triste memória e atrás da agressão verbal e mediática numa campanha iniciada contra o funcionário público, o professor surge como alguém que nada faz e não é avaliado. E eis que...o auge deste ataque é preconizado pela célebre ministra de Sócrates que lança sadicamente o caos nas escolas, com burocracias altamente nefastas ao bom relacionamento dos professores e ao tempo dedicado a um eficaz acompanhamento dos alunos. A grandiosa manifestação dos professores indignados, e o sentimento de injustiça de que eram alvo, mostrou bem e (e nunca fôra do seu agrado virem para a rua) a mágoa contra quem nada sabia do trabalho desenvolvido nas escolas e avaliava às escuras e agressivamente aquilo de que tão longe estava...  

Nunca mais as escolas voltaram a ter a dinâmica feliz doutros tempos. Tratados como simples funcionários da Educação, desencantados, sem qualquer autonomia, humilhados perante os alunos, cada vez mais indisciplinados e até violentos, quem desejará hoje ser professor?

E ONDE PAIRA AFINAL A ALEGRIA DE QUEM SONHOU SÊ-LO?                                                                                                   

Nota : toda a indignação que fervilha nas grandes e intermináveis manifestações que vemos diariamente, mostram bem o desprezo do Poder pela situação já insustentável duma classe que precisa de estabilidade  e um mínimo de reconhecimento. Só assim se poderá dedicar à escola e aos seus alunos com energia, motivação e até sacrifício, se necessário. E é-o muitas vezes. E a maior parte dos bons professores (e há muitos) não o contestam.                                                                     

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