quarta-feira, 3 de julho de 2024

ESCREVER O NÃO DITO - POR TER SIDO IMPOSSÍVEL? DIFÍCIL? OU POR SER DEMASIADO TARDE?

 

                                                        Filomena Leal


            Consciente de que é por vezes tarde para dizer o que não foi dito e talvez quem sabe? indizível seria?, é de crer que será a Escrita a dar voz e a procurar as palavras testemunhas e certeiras desse tão necessário não dito.

Escrever o importante vital é, pois, o Sentir urgente duma fase final da vida que pode ser mais ou menos breve, mais ou menos longa. Mas com tanto de real que foi e um outro que podia ter sido, bem a desejo duma certa duração, para fixar pela Escrita o tempo que vivi e o que deixei de Viver por circunstâncias várias. E é aqui que entra o Imaginário com todo o poder de criar um Real outro. Inspirado em memórias vivas e de tudo o que uma vida tem de estimulante e sofrido, é ele capaz de vencer o tempo e fazer até «as coisas acontecerem outra vez». Já nem falo daquilo que poderia ter acontecido mas não aconteceu.                 E daí o Enaltecer sempre e cada vez mais a Memória e Imaginação humanas que, num trabalho interligado criam passados jubilosos e também com rasgões d'alma, como outros eivados dum futuro que poderia ter sido mas ainda poderá vir a ser, se a INTELIGÊNCIA do homem não abdicar, a favor duma inteligência artificial a que faltará sempre o sentir vital do humano. Mas  dou vivas à esperança de que o Homem a colocará no lugar devido, e saia vitorioso desta nova etapa tecnológica que o desafiará.    

E a Escrita, ligada ao que de mais genial o ser Humano inventou, continuará o seu percurso histórico deliciando-nos com obras Únicas, tantas vezes críticas do real que as inspira e/ou imaginando outros mundos sempre possíveis de virem a existir. Sim, é de confiar na Inteligência Emocional do homem, aquela que segundo estudos do cientista António Damásio, melhor poderá gerir a complexidade do nosso mundo actual, de futuro tão nebuloso!!! 

E ... regressando ao foro pessoal... 

Escrever p'ra deixar testemunho de muito do que vivi e imaginei, e daquilo que não disse e foi  quase impossível dizer, é a grande tarefa a que me obrigo.

 



                                                                                                                                                                   

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