segunda-feira, 29 de abril de 2019
O DESLUMBRE IRREPETÍVEL DAQUELE 1º DE MAIO
Filomena Leal
Foi logo após o sonho realizado, dum 25 de Abril, portador da grande Liberdade, que o povo, maravilhado, saiu à rua.
A alegria e o dizer confiante destes dias, levaram as pessoas a viver uma beleza solidária que forrou o real, como se fosse possível viver sempre assim (alguns mais idealistas, julgaram mesmo que sim). Era uma fina pele que iria rasgar-se com a primeira unhada que o egoísmo natural do homem aí cravasse. Mas ninguém pareceu pensar nisso.
Naquelas ruas do 1º de Maio todos passavam de braço dado. Alegres, riam e acenavam aos simples conhecidos, com lágrimas nos olhos. Crianças aos ombros dos Pais, viam e testemunhavam essa hora ditosa.
45 anos depois , solto a memória desse eufórico dia, ainda um pouco incrédula de tanta luz liberta que inundou o País. E a coincidência do meu momento subjectivo, resultado duma evolução pessoal, com aquele momento histórico, tornou tudo extraordinariamente mágico. Quase milagre...
O que então aconteceu de luminoso, não se pode contar. É tão pessoal como o Amor.
Mas, apesar de se entrar no campo duro da realidade e a luta dos interesses começar, muita coisa o tempo deixou intacto e muitos caminhos Abril abriu.
Portugal não seria o mesmo, sem tudo o que se foi construindo de bom, nestes 45 anos de liberdade - fim da guerra colonial, a democratização do acesso ao Ensino, o Serviço Nacional de Saúde, a universalização da Segurança Social, a valorização do poder local, medidas essenciais e que mais beneficiaram os portugueses. Muita, mas mesmo muita crítica há a fazer, e muito mais e melhor se podia ter feito, é verdade.
Mas isso não pode apagar tudo o que conquistámos e vivemos com todo o fulgor Realizador do Abril de 74.
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