sábado, 28 de dezembro de 2019
ESCOLA E HUMANIDADES
Filomena Leal
A empresa como um templo e as escolas assumirem a imagem do modelo empresarial como se pretendeu na política dos últimos anos, é uma perda enorme da Cultura de solidariedade e comunidade educativa.
É o fetichismo tecnológico: ter uma profissão de sucesso e ganhar muito dinheiro como imperativo, sem o inculcar de valores culturais e humanísticos que foram varridos da formação escolar. Enfatiza-se a ideia de que «apenas a ciência e tecnologia interessam neste mundo». E sabemos já o que acontece quando as sociedades ignoram as Humanísticas e procuram dominar e exceder-se com as grandes conquistas científicas e tecnológicas. Tivemos alguma experiência no passado, quando determinados avanços na Ciência serviram para dizimar milhares (senão milhões) de seres humanos.
Também sabemos que um médico ou engenheiro cultos, serão
sempre melhores profissionais do que aqueles que só percebem da sua área.
Sem a Cultura, sem a Arte, como elevada expressão humanística de subjectidades e pensamentos duma subtil diversidade, já teríamos sido dizimados como espécie.
Também o menosprezo da Literatura, como disciplina básica na formação, contribui para atrofiar não só a sensibilidade estética (da palavra e não apenas), mas a parte racional, ou seja a capacidade de raciocinar criticamente.
Saber argumentar com palavras, em vez de tomar atitudes violentas, dizer o que sentem em discursos emotivos, terapêuticos, é algo que pacifica jovens e adultos e isso aprende-se na escola e mais ainda nos livros e no gosto de ler, fomentado por aquela e pelo ambiente vivido desde a infância.
E a propósito do livro, transcrevo uma mensagem da escritora Lídia Jorge que dá ao livro um papel insubstituível:
«SILVICULTORES, PLANTAI MUITAS ÁRVORES, PORQUE OS LIVROS SERÃO DE PAPEL. No livro está o pensamento demorado, aquele que nos ajuda a treinar bem o nosso cérebro lento, porque o rápido tem aí todos os instrumentos. Só que este não conduz à Comparação, nem à Dúvida. Como tomar uma decisão?Várias hipóteses para irmos deduzindo e escolher a que melhor se adapta à situação. Ao desaparecer este tipo de pensamento, como será?
Acredito que vivemos para um sentido e não apenas para o prazer fácil e passageiro»
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