segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

EXPOSIÇÃO EM VILA FRANCA DE XIRA A LEMBRAR NOITE NEGRA DAS CHEIAS DE 67




                                                                                                                 Filomena Leal


A Exposição mostra imagens e documentos que o Estado Novo escondeu. O concelho de Vila Franca fôra então o mais afectado e só no Lugar das Quintas morreram 89 dos cerca de 150 habitantes. E a população das aldeias como esta, foram apanhadas pelas cheias enquanto dormiam.
Inaugurada no Celeiro da Patriarcal, esta Exposição reuniu fotografias que, na época, não puderam ser divulgadas, e depoimentos de pessoas que viveram a tragédia deste Novembro de 1967. 
O curador e jornalista Joaquim Letria do Diário de Lisboa, foi quem primeiro chegou ao Lugar. Ao falar daquilo que encontrou e no choque que teve, a comoção invade-o. Sem comunicações e em plena escuridão, meteu-se numa barca de borracha da Marinha, com 2 fuzileiros e 2 bombeiros que procuravam salvar quem fosse possível.
Na manhã seguinte, ao ser noticiado, estudantes universitários e Associações católicas foram para o terreno apoiar os sobreviventes. Houve muitas centenas de mortos cujo número a Censura não deixou publicar.
Foi decerto, um dos momentos em que a Geração Estudantil se deu conta da situação miserável em que vivia a população à volta de Lisboa (que não a de Cascais) e se mobilizou politicamente.
É bom continuar a mostrar estes momentos trágicos do passado, e compará-los com o País do presente, o qual, apesar de todas as lacunas, Não é o Mesmo desses míseros e amordaçados tempos.   

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