domingo, 26 de janeiro de 2020
TERÁ O ENVELHECIMENTO CULTURAL A VER COM A IDADE?
Filomena Leal
Ora, o que me parece é que todo o processo de envelhecimento (cultural, que não físico), tem menos a ver com a idade do que com a atitude que cada um de nós tem ao longo da vida, perante os desafios das novas ideias, novidades tecnológicas ou outras, das práticas sociais e políticas no seu todo, incluindo as artísticas e/ou culturais.
Tudo isto é uma questão de carácter ou temperamento individual e não de idade avançada. Eliminar a interrogação, a dúvida, a contradição, o desassossego, a transformação da nossa vida, é seguir a vereda dum progressivo envelhecimento cultural.
Assim é que, face à já banal revolução digital que introduziu aspectos novos na cultura e relações sociais, pessoas de mais idade e com formação e comportamento dinâmico perante o mundo e o conhecimento, em geral, um dilema se lhes põe.
É sabido e consensual entre psicólogos, neurocientistas e investigadores de áreas diversas que «os modos de leitura digital têm tido como consequência uma diminuição da capacidade do cérebro em interiorizar o conhecimento, promover o raciocínio analógico, desenvolver perspectivas de compreensão e empatia, estimular análises críticas, etc» E a perda da relação física com pessoas (o que implica uma esfumada ligação afectiva) e objectos como o livro (o que induz a «uma impaciência cognitiva» relativamente a textos mais ou menos longos), é uma das consequências mais negativas nas camadas mais e menos jovens, até porque lhes veda um conhecimento profundo nas diversas áreas do conhecimento.
Então, tendo consciência de todos estes aspectos negativos do novo universo digital, estará uma pessoa envelhecida, ao recusá-lo? Ou até onde o poderá aceitar, sem afrontar a sua identidade, formada através da leitura em profundidade de livros diversos (em papel)?
O que se poderá esperar então duma pessoa com espírito crítico e sempre ávida de novos desafios?
O MAIS NATURAL SERÁ CONTINUAR COM TODA A SUA ACTIVIDADE CULTURAL DESASSOSSEGADA E INTERROGATIVA, PROCURANDO COMPREENDER CRITICAMENTE O NOVO CONTEXTO DIGITAL E TODOS OS SEUS VELOZES AVANÇOS.
E por que não servir-se dos funcionais instrumentos deste novo mundo, sempre que lhe sejam úteis e os saiba/aprenda a utilizar?
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