Filomena Leal
Eis o Poema dum Poeta Beirão que nos
fala dessa realidade tão amarga e terrífica, quase impossível de descrever…
Parece ser apenas a Poesia a ela poder
aludir com laivos terapêuticos duma Arte Interventiva.
NATAL SEM PRESÉPIO
Em campos calcinados feitos cinza
Em casas por ardidas só ruinas
Por entre gritos lancinantes
duros
A sangrarem e a atormentarem tudo
Com silêncios de mortos corroídos
Acompanhando esses sinistros gritos –
Onde acolher-Te em tal destruição
Onde louvar-Te em tal desolação
P’ra que outra vez tu possas renascer
Na manjedoura que também ardeu?
António Salvado
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